Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

MANUCURE (FINALMENTE)

Manucure

Na sensação de estar polindo as minhas unhas,

Súbita sensação inexplicável de ternura,

Todo me incluo em Mim – piedosamente.

Entanto eis-me sozinho no Café:

De manhã, como sempre, em bocejos amarelos.

De volta, as mesas apenas – ingratas

E duras, esquinadas na sua desgraciosidade

Boçal, quadrangular e livre-pensadora...

Fora: dia de Maio em luz

E sol – dia brutal, provinciano e democrático

Que os meus olhos delicados, refinados, esguios e citadinos

Não podem tolerar – e apenas forçados

Suportam em náuseas. Toda a minha sensibilidade

Se ofende com este dia que há-de ter cantores

Entre os amigos com quem ando às vezes –

Trigueiros, naturais, de bigodes fartos –

Que escrevem, mas têm partido político

E assistem a congressos republicanos,

Vão às mulheres, gostam de vinho tinto,

De peros ou de sardinhas fritas...

(..)

Leia o poema completo na Biblioteca AdC.


Finalmente um dos poemas mais geniais do Século XX chega ao Abaixo de Cão.
Trata-se de "Manucure" de Mário de Sá-Carneiro publicado em 1915 e cujos efeitos tipográficos tentei reproduzir o mais fielmente possível. Recorri a várias fontes na Internet e não me venham falar em direitos de autor pois toda a obra do poeta se encontra no Domínio Público.

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"Abaixo de cão" - Palavra do Leitor

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