quinta-feira, 5 de julho de 2012

INCONSTITUCIONAL MA NON TROPPO

Decidiu o Tribunal Constitucional declarar inconstitucionais os cortes dos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos. Compreendo o princípio da igualdade, embora bastasse ler o artigo que determina que todos têm direito a férias pagas, só não compreendo como é possível restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade e assim legalizar o roubo em 2012.

Já sabem, caros leitores, em nome da igualdade não há subsídios pra ninguém durante o ano de 2013 (e 2014 e 2015 e... ?).

Entrámos oficialmente na OIDF (Organização Internacional das Democracias de Fachada).

sexta-feira, 29 de junho de 2012

COLORGRAPHIA LXXXVII - PAUL KLEE


O Cavaleiro Negro, 1927 (período Bauhaus). Coleção do Estado da Renânia do Norte-Vestfália.

Evocando Paul Klee, o multifacetado artista falecido neste dia há 72 anos.

terça-feira, 12 de junho de 2012

QUADRAS inPOPULARES



Inaugurando a época dos Santos Populares aqui fica uma pequena quadra. Mais uma obra-prima do Departamento de Marketing.
Se houver alguém interessado em divulgar o cartaz tem aqui o PDF.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

inCITAÇÕES VIII



A banker is a fellow who lends you his umbrella when the sun is shining, but wants it back the minute it begins to rain. Mark Twain

Um cartaz a ser afixado brevemente em vários locais de Lisboa. O Departamento de Marketing deste blogue está a exagerar, quem vê a publicidade fica depois desiludido quando aqui chega...

Créditos da fotografia: Jackie Martinez por Mark J. Sebastian, licença Creative Commons.

P.S. - Poderá encontrar um cartaz "sobrevivente" na estação de Metro do Marquês, átrio de acesso à Linha Amarela. Olhe para a máquina de Multibanco do Millenium perto do Café Sical. Pelo menos este Sábado (dia 9 de Junho) ainda lá estava...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

CUIDADO COM O FACEBOOK

Domingo, navegava eu alegremente quando me surge uma notificação contendo o meu endereço de e-mail: "seja bem-vindo ao Facebook". Mais uma tentativa de phishing, pensei eu, contudo depois de analisar o endereço do remetente constatei tratar-se duma mensagem genuína. Como não me tinha inscrito em coisa nenhuma e perante a possibilidade dum hacker ter acedido ao meu correio eletrónico decidi mudar a respetiva senha. Porém depois de algumas pesquisas concluí que basta um endereço de e-mail, real ou inventado, para se ter acesso imediato às funcionalidades da rede social. Não é necessária qualquer confirmação!

Decidi então passar à ação: solicitei a recuperação de senha e entrei na conta onde encontrei a fotografia dum miúdo (brasileiro) no perfil. Acedi às opções e alterei a senha. Depois limpei todos os dados possíveis de limpar, cliquei então aqui e apaguei a conta, mesmo assim terei de esperar 14 dias. Ontem recebi um pedido de recuperação de senha que ignorei, cliquei, isso sim, na ligação "se não solicitou nova senha informe-nos".

Parece que o assunto está arrumado, mas fico perplexo com a irresponsabilidade demonstrada por um gigante da Internet. Só consigo concluir que o Facebook quer é vender olhos aos anunciantes estando positivamente a cagar-se para a privacidade e segurança dos (não) utilizadores.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

BERNARDO

Continuo incrédulo, tal como fiquei ao ouvir na sexta-feira a notícia da morte de Bernardo Sassetti.

Tive oportunidade de o ouver há um ano no Uma Coisa em Forma de Assim. Durante uma hora o seu piano, bailarinos e coreógrafos proporcionaram um espetáculo inesquecível. Com ecos de Debussy, de Xenakis, de Keith Jarrett, a obra músical que deu vida às coreografias foi de uma originalidade surpreendente.

Fiquei então convencido que Bernardo iria ser um dos mais importantes compositores portugueses do Séc. XXI, mal sabia eu que a sua vida e obra acabariam tragicamente...

terça-feira, 1 de maio de 2012

COLORGRAPHIA LXXXVI - UMA VISÃO DE FUTURO


Vincent Van Gogh, "Os Comedores de Batatas" 1885, óleo sobre tela 82 × 114 cm. Museu Van Gogh, Amesterdão.

Um quadro com 157 anos que ilustra a visão de futuro do atual Primeiro-Ministro:
Estejam preparados para viver nos próximos anos com um desemprego superior ao que estão habituados.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

CONTRA O DESPOTISMO

Sanhudo, inexorável Despotismo
Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,
Que em mil quadros horríficos te enlevas,
Obra da Iniquidade e do Ateísmo:

Assanhas o danado Fanatismo,
Porque te escore o trono onde te enlevas;
Por que o sol da Verdade envolva em trevas
E sepulte a Razão num denso abismo.

Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satélites vis da prepotência
De crimes infernais o plano gizas,

Mas, apesar da bárbara insolência,
Reinas só no ext'rior, não tiranizas
Do livre coração a independência.


Soneto de José Maria Barbosa du Bocage.

(A parte do Ateísmo é que enfim...)

UMA NOTÍCIA TRISTE ANTECEDENDO UM DIA DE FESTA



Miguel Portas, um dos poucos políticos sérios (e a sério) de Portugal.

terça-feira, 24 de abril de 2012

ASSINALANDO O 24 DE ABRIL

Hoje é dia 24 de Abril, data que alguns prefeririam comemorar, gente que ao longo destes anos tudo tem feito para apagar o significado da Revolução dos Cravos. Ultimamente chegaram ao ponto de afirmar que depois de 74 se gastou o que Salazar tinha poupado, segundo estes neo-fachos o Professor deixou aos portugueses enormes reservas de ouro que os comunas se encarregaram de delapidar.
Sim, é verdade: a riqueza acumulada pelo Estado Novo é indesmentível, mas não há qualquer dúvida que a maioria da população foi roubada para que alguns se locupletassem. País de cofres cheios e de estômagos vazios: "no meu tempo uma sardinha dava para três...".

Comemorei o oitavo aniversário 3 meses antes da revolução, mas desse curto tempo de vida lembro-me do sofrimento de gente com quem me cruzei.

Lembro-me bem que o medo era uma realidade palpável, tinha eu uns 5 anos e vinha subindo a Casal Ribeiro, a minha mãe protestava ruidosamente por no supermercado lhe terem pedido dinheiro pelo saco de plástico (1 escudo?), invetivava publicamente o Presidente do Conselho e eu chorando olhava à minha volta receando que aparecesse alguém para a calar.

Lembro-me bem desses dias de chumbo, da escola com o crucifixo na parede ladeado das fotografias de Tomás e Caetano. Da cacofonia na sala de aulas com a professora ensinando em simultâneo a primeira e a quarta classe, assim tinha de ser pois rapazes e raparigas andavam em escolas diferentes.

Lembro-me de visitar os meus avós maternos no Minho e de ver o meu avô abrir toda a correspondência dirigida à minha avó, que era das poucas mulheres mais velhas que sabia ler. Lembro-me das casas da aldeia não terem retretes.

Lembro-me do sr.Alfredo e das histórias que se contavam entre dentes, a sua mulher queria separar-se por maus tratos (não havia direito a divórcio) sem que ele o permitisse, um belo dia tendo o minhoto surpreendido a cara-metade a "por-lhe os cornos" lava a honra com sangue esfaqueando-a mortalmente. "Apanhou" pena suspensa, coisa vulgar nessa época, especialmente na província. A Mulher era então um ser em perpétua menoridade.

Lembro-me das campanhas de  prevenção da cólera logo a seguir ao 25 de Abril, o país sofrera surtos regulares desde 1971. Afinal não era um estado civilizador, como então se dizia, mas objetivamente uma nação do Terceiro Mundo.

Ainda sobre o país do 24 de Abril  não posso deixar de citar o artigo de Isabel do Carmo no Público intitulado Vamos Lá Empobrecer:
"O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus."
(...)
"Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de "longa" duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). "
(...)
"Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a "obra das Mães" e fazia-se anualmente "o berço" nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem-comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja). "
(...)
"Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras (e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe. Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), nem teatro, nem cinema. "
(...)
"Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal "

Eu também vivi nesse país e não gostei porque me lembro. É preciso que todos tomem consciência da nossa história recente, o "custe o que custar" de alguns políticos pode fazer-nos recuar pelo menos 4 décadas.
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