quinta-feira, 27 de novembro de 2003

JAZZ


Coltrane, sax.
SOBRE A ARTE NESTE BLOGUE

Não sei escrever, não sei pintar, não sei arquitectar, não sei coreografar, não sei dançar, não sei fotografar, não sei representar , não sei encenar, não sei realizar, não sei compor, não sei cantar ou tocar, não sei esculpir, não sei criticar.

Por isso evoco os que sabem escrever, os que sabem pintar, os que sabem arquitectar, os que sabem coreografar, os que sabem dançar, os que sabem fotografar, os que sabem representar, os que sabem encenar, os que sabem realizar, os que sabem compor, os que sabem cantar ou tocar, os que sabem esculpir, os que sabem criticar.
Por isso evoco quem cria Arte, esse bem de primeira necessidade.
CURIOSIDADE

Descobri num site (que não me apetece dizer qual é) esta tradução para chinês da Autopsicografia do Pessoa.


Tradução e anotações de
Zhang Weimin

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa
28.02.1929

quarta-feira, 26 de novembro de 2003

TORGA

Queixa

Vida!
Que te pedi a mais
Que um mortal não mereça?
Ou queres que nenhum filho
Conheça
A plenitude?
Pude
O que me consentiste.
Mas vou triste
Do mundo.
Cavei,
Cavei,
E abri um poço sem chegar ao fundo.

(1988)

terça-feira, 25 de novembro de 2003

SONS PARA HOJE III



Os dois Concertos para Piano de Brahms, por Emil Gilels no piano e a Filarmónica de Berlim sob a direcção de Eugen Jochum.
IRRITANTE

Como a Dª Vitriólica já referiu, porque é que a maioria dos anúncios a telemóveis são, ultimamente, tão irritantes?
INJUSTO

Diz o ministro das finanças alemão, sobre a violação do Pacto de Estabilidade, que seria injusto para o seu povo fazer cortes no orçamento, prejudicando as prestações sociais e aumentando os impostos. Só não percebo porque tal situação não é injusta para o povo português.
PRIORIDADES

Seis horas de espera, em média, nas urgências pediátricas do "Dª Estefânia"; quatro médicos (quatro!) num serviço essencial de um hospital central.
Assim se vêm as prioridades do (des)Governo que temos.
VÍTIMA DA CRISE

Será que este homem nunca mais deixa de ter motivos para manter o blog?


PARECENDO QUE NÃO...

...sabe sempre bem receber um elogio (ainda por cima sendo incluído nos "Blogues do Prazer").
ALEXANDRE O'NEIL

Há Palavras que nos Beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


Um Adeus Português

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensangüentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio [puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti


Alexandre O'Neil
Poesias Completas
Assírio & Alvim, Lisboa, 2000.

segunda-feira, 24 de novembro de 2003

JORGE PALMA (APETECEU-ME II)

Dá-me Lume

Chegaste com três vinténs
E o ar de quem não tem
Muito mais a perder
O vinho não era bom
A banda não tinha tom
Mas tu fizeste a noite apetecer
Mandaste a minha solidão embora
Iluminaste o pavilhão da aurora
Com o teu passo inseguro
E o paraíso no teu olhar

Eu fiquei louco por ti
Logo rejuvenesci
Não podia falhar
Dispondo a meu favor
Da eloquência do amor
Ali mesmo à mão de semear
Mostrei-te a origem do bem e o reverso
Provei-te que o que conta no universo
É esse passo inseguro
E o paraíso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
deixa o teu fogo envolver-me
até a musica acabar
dá-me lume, não deixes o frio entrar
faz os teus braços fechar-me as asas
há tanto tempo a acenar

(...)

Letra e música de Jorge Palma, 1989.

Versão integral.

domingo, 23 de novembro de 2003

ASSIM SIM

Assim sim Crítico.

BRASSAÏ


''Notre Dame'' 1933. Todas as fotografias são do livro ''Paris de Nuit'' do fotógrafo Brassaï (Gyula Halasz), ampliação aqui.


"Gare du Palais-Royale" 1933, ampliação aqui.


''Place de L'Opera'' 1933, ampliação aqui


''Prostitute au coin de la Rue de la Reynie avec la Rue Quincampoix'' 1933 ampliação aqui

Mais uma vez a Fotografia regressa a este blog. Hoje escrevo sobre o fotógrafo Brassaï (1900-1984) essa coruja da noite parisiense. Nascido Gyula Halasz, de nacionalidade húngara, chegou aos vinte e três anos a Paris adoptando o nome de Brassaï (em honra da sua cidade natal Brasso, na Transilvânia, hoje pertencente à Roménia).
Recordado por muitos pela Paris sinistra que ele descrevia como um ''mundo de prazer, de amor, vício, crime, drogas'' não se restringiu só a essa face; fotografou igualmente o mundo mais largo e familiar em que também se movia.
''Tal como as aves e animais nocturnos trazem a floresta à vida quando a fauna diurna regressa às tocas, assim a noite numa grande cidade tira dos seus abrigos uma população inteira que vive sob o manto da escuridão".

sábado, 22 de novembro de 2003

COMENTÁRIOS

Nos comentários deste "post" ficarão condensadas todas as "Palavras do Leitor" do mês de Novembro e que foram publicadas no blogger.com.br .

PS: Novo sistema de comentários neste novo endereço. Obrigado pela ideia Manel.

quarta-feira, 19 de novembro de 2003

''POST'' PARA NINGUÉM LER, QUE SE LIXE O SITE METER!

The Raven
by Edgar Allan Poe

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
" 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;
Only this, and nothing more."


Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,
Nameless here forevermore.


And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me---filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
" 'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,
Some late visitor entreating entrance at my chamber door.
This it is, and nothing more."


Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you." Here I opened wide the door;---
Darkness there, and nothing more.


Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearing
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word,
Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,
"Lenore!" Merely this, and nothing more.


Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping, something louder than before,
"Surely," said I, "surely, that is something at my window lattice.
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.
Let my heart be still a moment, and this mystery explore.
" 'Tis the wind, and nothing more."


Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,
Perched, and sat, and nothing more.


Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."
Quoth the raven, "Nevermore."


Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning, little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door,
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."


But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;
Till I scarcely more than muttered, "Other friends have flown before;
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said, "Nevermore."


Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master, whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster, till his songs one burden bore,---
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore
Of "Never---nevermore."


But the raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore --
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore
Meant in croaking "Nevermore."

Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er
She shall press, ah, nevermore!


Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee -- by these angels he hath
Sent thee respite---respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!"
Quoth the raven, "Nevermore!"


"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted--
On this home by horror haunted--tell me truly, I implore:
Is there--is there balm in Gilead?--tell me--tell me I implore!"
Quoth the raven, "Nevermore."


"Prophet!" said I, "thing of evil--prophet still, if bird or devil!
By that heaven that bends above us--by that God we both adore--
Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore---
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?
Quoth the raven, "Nevermore."


"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting--
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the raven, "Nevermore."


And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted---nevermore!


First Published in 1845
MUDANÇA?

Estou a ponderar seriamente mudar o endereço deste blog. O servidor está inacessível (para manutenção) demasiadas vezes. Normalmente quando eu quero ''postar''!!!

terça-feira, 18 de novembro de 2003

INTRIGANTE

Continuo a achar intrigante aquela Lei de Murphy que diz: "Quando nos enganamos a marcar um número de telefone, nunca está impedido".
BLOGUES NO MEU SITE

Estou a renovar a categoria "comunicar" no meu site (que me dá uma trabalheira desgraçada). Foram acrescentados recentemente alguns blogues e outros se seguirão. Ide ver e depois, se quiserdes, pedi para acrescentar o vosso blog que eu estudarei o assunto.
COMO NENHUM BLOG AINDA SE REFERIU A ESTA OBRA DECIDI FAZER UMA EVOCAÇÃO
(E A FOTO ATÉ É DECORATIVA) :p


CONSIDERAÇÕES SOBRE BLOGS VII

Certamente existe um significado literário ou filosófico, mas será que alguém me pode explicar os ''posts'' recentes da Bomba, tais como: ''Dong dong dongdong, dong dong dongdong, dong dong dongdooong...'' ''Di di didi, di di didi, di di didiiiiii...'' e ''Tu tu tutu, tu tu tutu, tu tu tutuuu...'' ?
IRRITAÇÕES DO QUOTIDIANO II

Moro relativamente perto de uma estrada de grande movimento. Todos os dias carrego no botãozinho e espero que o semáforo fique verde para os peões. Quase todos os dias vejo condutores que, tendo o sinal vermelho e peões a atravessar a passadeira, continuam com o pé na tábua. É como se houvesse uma placa a dizer:''Acelera, mata a velha / puto / gajo / gaja''.
Pensando melhor... vou lá ver se lá está a placa, como sou um bocado distraído posso não a ter visto.
Voltei! Não encontrei nada, só vi, uns metros antes dos semáforos, duas luzes amarelas intermitentes e uma chapa com: ''Atenção! Velocidade controlada''.
Não estou convencido, vou lá novamente com uma lanterna, está escuro, de certeza não vi bem...

domingo, 16 de novembro de 2003

CONSIDERAÇÕES SOBRE BLOGS VI

É impressão minha ou o Crítico raramente escreve sobre compositores do sec. XX?
SONS PARA HOJE II



''A Paixão Segundo São João'' de J.S. Bach.
The Choir of College Oxford, Collegium Novum, direcção: Edward Higginbottom

Uma interpretação viva, artesanal no nobre sentido do termo. A "autenticidade" com paixão.

PS:Quem quiser comprar não fica mais pobre, dois contos e quatrocentos por 2 cd's.
LISTA III

Actualização da lista aqui do lado direito.

Entrou este tipo que precisa de um tratamento psiquiátrico, mas apesar disso gosto das entrevistas que faz.

Esta senhora já tinha entrado há uns dias, é a visão doméstica do mundo embora me pareça, por vezes, muito sofisticada; o seu Cocó aparenta ser um animal muito sensato (aposto que muita gente citadina não sabe o que é um cocó).

Acrescentados também o ''Bengelsdorff'', o ''...Blogo Existo'' e o ''Malta da Rua''.
FALTAVA A ARTE FOTOGRÁFICA



Robert Doisneau "Le Violoncelliste" 1954
Quando a Música encontra a Fotografia...

Ampliação aqui.

sexta-feira, 14 de novembro de 2003

ENTÃO E A ARQUITECTURA NÃO CONTA?



Mies van der Rohe:
Neue National Galerie, Berlin, 1965-68.

quarta-feira, 12 de novembro de 2003

GIACOMETTI (APETECEU-ME)



Alberto Giacometti
Walking Man II, 1960.
ZONA SEGURA?

Era então a zona mais segura do Iraque? O Governo manda homens e mulheres ao encontro da morte para que as migalhas, deixadas pelos americanos, possam vir a engordar banqueiros e outros tubarões nacionais. Só espero que a proverbial sorte do português os acompanhe a todos.
I'M BACK

Ainda não foi desta que vocês se livraram de mim eheheh.

terça-feira, 11 de novembro de 2003

AUSÊNCIA FORÇADA II

Devido a uma avaria na minha zona, que me parece vai demorar a reparar, estou sem net em casa. Grrrrrrr odeio a PT.

sábado, 8 de novembro de 2003

SONS PARA HOJE

Música para ouvir hoje:


''Albert Herring''
de Benjamin Britten (1913-1976).
Com C.Gillet, J.Barstow, F.Palmer; Northern Sinfonia, direcção de Steuart Bedford.


''Homogenic'' álbum de Bjork
Editora Elektra.
Quando uma música intrinsecamente efémera vai resistindo ao tempo...

quinta-feira, 6 de novembro de 2003

PAZ E HARMONIA NO NOSSO DIA-A-DIA

Como a Truta Laranja decidiu não ver TV nem ler notícias por uns tempos, aqui vão três notícias importantíssimas para o país e para o mundo:
1- Os noivos mais famosos de Espanha deram uma conferência de imprensa. Ele mostrou os botões de punho que ela lhe ofereceu, ela mostrou o anel que ele lhe ofereceu. Que emocionado fiquei!
2- O José Castelo Branco, esse grande vulto da cultura portuguesa, está detido no DIAP; foi apanhado no aeroporto com jóias não declaradas. Ahahahah
3- Nas filmagens de uma novela da TVI as máquinas deixaram de funcionar repentinamente, uma actriz teve alterações de comportamento e até tiveram de chamar um padre! Parece que aconteceu tudo numa igreja antiga. A ''notícia'' foi apresentada, como sempre, 724 vezes ao longo do Jornal Nacional.
''Não perca, já a seguir! ''

Cara amiga Laranja, que exagero deixares de ver TV por causa da violência. Hoje, ao ligar o aparelho, a primeira coisa que vi foi um anúncio ao Renault Mégane em que um gajo salta de uma carrinha de cachorros quentes e desata aos tiros de metralhadora, outro gajo esconde-se atrás do carro que, entretanto, começa a fugir sozinho das rajadas. Como podes constatar és uma exagerada!
HOJE SOPHIA, CLARO!

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 5 de novembro de 2003

DESCULPEM LÁ

Desculpem lá, mas por muito que me expliquem não percebo como é que um cego faz relatos de futebol na R.D.P! Já sei que nos relatos se costuma exagerar, só que nunca pensei que exagerassem a 100%.
Claro que um árbitro cego não seria notícia, na classe quase todos são invisuais.
(Fonte: Jornal da Noite da S.I.C.)

terça-feira, 4 de novembro de 2003

DÚVIDA

Bem sei que a história da ''Time'' sobre Bragança está a passar de moda, mas tenho uma dúvida:
Uma casa de passe será um quiosque da Rodoviária ?
GRATUITO ?

Fala-nos o Crítico no novo serviço de blogs do Sapo . Tudo muito bonito, mas não tenham dúvidas que daqui a uns meses, depois de ter utilizadores suficientes, o serviço passa a ser exclusivo para clientes dos produtos da PT. Ver o que aconteceu com o serviço de ''Homepages'', com a página Tek, com os arquivos do DN e da TSF (isto ainda é só o princípio). Nos primórdios da Internet o espírito de comunidade aberta e a partilha era a regra; todavia as grandes multinacionais monopolistas, como a PT, estão a matar essa alma com a sua cegueira de lucro.

PS: Não quer dizer que não venha a usar o serviço, nunca digas ''desta água...''

segunda-feira, 3 de novembro de 2003

CARTA A MEUS FILHOS SOBRE OS FUZILAMENTOS DE GOYA



Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele iseja
aquele que eu desejo para vós. Um simples imundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que iadvém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o ivosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos ioutros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja isequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é ipossível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.

(...)

Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ininguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de ifalar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem iambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia

- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -

não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos iséculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não isejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele iobjecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas iveias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Lisboa, 25/6/1959

Jorge de Sena

Poesia II
Lisboa, Edições 70, 1988

Pintura ''El Tres de Mayo de 1808'' de Francisco de Goya, 1814

Ampliação aqui.

sábado, 1 de novembro de 2003

FRIDA II



''Frutos de la Tierra''. Frida Kahlo, 1938
Ampliação aqui.
Clique em "Mensagens antigas" para ler mais artigos fantásticos do Arquivo.

Temas

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