segunda-feira, 26 de maio de 2008

FUI EU?

Não sei quantas almas tenho

por Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreve.

FALTAR-ME-Á SEMPRE QUALQUER COISA

Acordar

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja

A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...

Deita-me as mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Excepto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palácios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.

Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também..

por Álvaro de Campos

terça-feira, 20 de maio de 2008

CHOMSKY


Ultimamente por aqui só se têm abordado assuntos maçadores. Assim sendo apresento hoje o vídeo da palestra (com uma péssima introdução) dada por Noam Chomsky na sede do Google.
Booooring!
Quem disse que este blogue não é chato?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

FINALMENTE GANHEI ALGUMA COISA COM ESTE BLOGUE :)

Depois de candidatar este blogue ao programa Britannica Webshare recebi a resposta no dia 29 de Abril com o seguinte conteúdo:

Congratulations: as a Web publisher you've been approved for complimentary access to Britannica Online. This message contains the information you'll need to sign up for your free one-year subscription to our Web site, which includes the entire Encyclopædia Britannica as well as many other sources of information and rich multimedia.

How to activate your free subscription
To start your subscription, please follow these four easy steps:

1 Visit http://www.britannica.com/certificate
2 Enter your email address and "promotion code" in the blue box. Your unique code is: XXXXXXXXXXX
3 Fill in the rest of your info on the following page and submit the form
4 You'll then see a confirmation page with a "Start Using Britannica Online" button that will give you direct access to our premium content (please disregard the button that says "Continue")
I hope you'll use the site regularly. It's good for personal and professional research, answering questions, and for enriching your Web site with knowledge and information that provides context to and rounds out the topics you write about.

On that last note, let me point out that you can make any Britannica article available to your readers simply by linking to it from your site. That's right. Even though portions of the site normally require a subscription to access them, there's an exception: when a Web site links to a Britannica article, Web surfers who click on that link get that article in its entirety. You can link to as many articles as you like, as often as you like.

And please go to britannicanet.com for a host of special tools that will help you use Britannica features and content to enhance your site.

If you have any questions, please let us know.

Best wishes,

J.C. Miller
For Encyclopædia Britannica


Resumindo: como autor de um blogue recebi uma assinatura anual da Encyclopædia Britannica e todas as hiperligações postadas aqui dão acesso ao artigo completo e sem restrições. Não pensem porém que todos são aprovados; cada candidatura é previamente avaliada por um editor.
Só agora dou a notícia porque ainda não a li em nenhum outro blogue português.

Para começar vamos experimentar o artigo Encyclopædia Britannica.

PS: Quem usa o navegador Opera no sítio da Brittanica terá de "mascarar como Firefox" (botão direito do rato » "editar preferências do sítio" ou "site preferences" » "ligações" ou "network" » seleccionar "mascarar como Firefox" ou "mask as Firefox"). O sítio deixa muito a desejar tecnicamente e não reconhece o Opera de forma correcta. Não basta usar o melhor programa de navegação da Net, como em tudo na vida quem pertence a uma minoria é sempre discriminado.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

MAIO


Eu nem sabia que existia um "Provedor do Trabalhador Temporário", o deputado socialista Vitalino Canas. Finalmente o Governo a preocupar-se com a precariedade laboral, porreiro pá!
Espera aí! Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego? Bem... não deixa de ser um provedor... pois...

Vídeo do May Day Lisboa.
Clique em "Mensagens antigas" para ler mais artigos fantásticos do Arquivo.

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